Mole Hunter (ZX Spectrum)

Data de Lançamento: 01 Janeiro 2010 
Produtora: Raul Pelayo Diez-Andino
Editora: Raul Pelayo Diez-Andino
Géneros: Ação | Arcade
Formato: 48K
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Sendo o Zx Spectrum um sistema do passado, é lógico pensarem como estando morto e enterrado nas lides da produção de novos jogos. 
Simplesmente o mundo dos micro computadores de 8 Bits tem uma estrutura bem diferente dos seus manos mais velhos de 16 bits, ou das famigeradas consolas que destronaram esse império no início dos anos 90, que era comum no velho Continente durante a década de 80. 

A simplicidade da conceção de um jogo nestes sistemas, é de uma facilidade assombrosa para quem domina minimamente o código de máquina ou Basic, fazendo com que surjam por ano mais jogos e programas, do que todas as consolas descontinuadas juntas que existiram. Obviamente que o método de gravação desses sistemas aliado às capacidades de programação incutidas nas máquinas, tornaram essa realidade possível nos dias de hoje, originado o jogo que a seguir é focado, que não é mais nem menos do que uma idealização de um simples programador, que decidiu dar uma nova vida ao seu primeiro jogo eletrónico, recriando-o na perfeição para o ZX Spectrum.

Antes do domínio dos microcomputadores, muitos de nós que viveram a sua infância no princípio dos anos 80, tiveram como primeira experiência os jogos eletrónicos, sendo estes normalmente associados aos célebres Game & Watch da Nintendo. O que é certo, é que houve muitas e boas companhias que produziram verdadeiras obras-primas da diversão digital portátil, mas nenhuma teve ou tem, como é sabido, o estatuto de culto alcançado pelas criações do Gunpei Yokoi, o pai dos jogos portáteis.

Uma das empresas que se dedicou também à sua produção foi a Casio, embora seja mais facilmente associada aos relógios digitais e calculadoras. Quem não teve um destes dois objetos nos anos 80? Uma vez que já dispunham da tecnologia, facilmente transpuseram pequenos jogos para os seus relógios e calculadoras, tendo também entrado em força no mercado dos jogos portáteis, entrando em competição direta com a Nintendo e criado alguns jogos que hoje fazem parte da lembrança de muitos portugueses com mais de 30 anos. Mole Hunter é um desses jogos, sendo que este não faça parte da minha memória enquanto jogador, como o seu irmão próximo o Marine Hunter, o seu conceito é em tudo similar, permitindo-me falar com algum conhecimento de causa na adaptação de Mole Hunter para o Spectrum.

Sendo o ZX Spectrum um sistema simples, decidi escolher este jogo, produzido em 2010 (sim leram bem), que não pretende mais do que recriar o jogo eletrónico sem mais pretensões acrescidas no velhinho Spectrum. E o que é certo, é que o objetivo foi conseguido na perfeição. A sensação de jogo consegue ser igual à de um jogo eletrónico. A sua simplicidade de movimentos, de andar para a esquerda e direita evitando cobras, aranhas ou cocos atirados por macacos, capturando as toupeiras com um simples premir do fogo, está simplesmente fiel, o que nos leva por vezes a esquecer que estamos a jogar um jogo num computador. Graficamente o jogo tem melhorias, pelo colorido incutido, as sprites de jogo delineadas apenas por um tracejado preto lembra os primórdios dos jogos do Spectrum, que se adequa à conversão, evitando assim o famigerado “colour clash” e capturando o aspecto fiel da conversão, mesmo com a melhoria da cor introduzida. A nível de som está em tudo igual aos efeitos sonoros destas máquinas, também é verdade que o som do 48k não era muito superior, mas para esta adaptação consegue ser o ideal os “beeps” estridentes produzidos pelo speaker da máquina.
O jogo não tem menu nem opções, é só premir fogo/Space e começar a jogar tentando fazer o máximo de pontos até ao limite de 999, sendo que a toupeira capturada mais próxima da jaula dá-nos um ponto e a mais longe três, sendo este o único objetivo do jogo. Alcançar uma pontuação elevada não é assim uma tarefa muito fácil.

O único senão do jogo é o mal que assola a maioria dos jogos eletrónicos, a sua simplicidade que instantaneamente nos vicia, torna-se saturante a curto prazo.
A nível da conversão, o único ponto “negativo” que saliento, é que ao contrário do que acontece nos jogos eletrónicos, como no Marine Hunter, a dificuldade não parece aumentar significativamente com o passar dos minutos, nesta versão de Spectrum, tornando assim o desafio de jogo e a possibilidade de recordes mais elevados facilitada.
Mole Hunter merece nota positiva, uma vez que consegue ser tudo aquilo que o criador pretendia, ou seja: A versão eletrónica do jogo no ZX Spectrum.

Mesmo sendo um jogo bem concebido e uma adaptação extremamente fiel do original, Mole Hunter não oferece nenhum tipo de longevidade que obrigue o jogador a despender mais do que algumas partidas nesta versão de 8 bits. Mesmo assim não deixa de ser um jogo que deve ser ao menos experimentado por todos os fãs destes dois sistemas.

Componente Pontuação
Gráficos 3.5
Som 2.0
Jogabilidade 4.0
Longevidade 3.0
Dificuldade 5.0
Nota Final 4.0
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25 Dezembro 2011 | Archeogamer
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