Dead Space 3

No espaço ninguém te ouve gritar.” Esta era a frase promocional do filme Alien, de 1979, que pretendia induzir ao espetador, toda uma sensação de solidão, medo e horror que se poderia sentir e viver no isolamento de uma nave espacial, algures no meio do espaço, perseguido por um predador desconhecido. E se houve algum jogo que transmitiu todo o brilhantismo da ideia de Alien, para o jogador, foi sem dúvida Dead Space. Mesmo que o conceito da versão de 2008 não fosse totalmente original, sem dúvida que a mestria da sua execução trouxe uma lufada de ar fresco ao género de survival horror, e captou a atenção de milhares de fãs, dando origem a mais uma sequela igualmente brilhante, Dead Space 2. E se Alien, evoluiu para o brilhante Aliens: O Reencontro Final, Dead Space 3 poderá ser chamado do Aliens da série, devido à evolução natural e a grandeza do novo título, isto porque à semelhança do segundo filme, desta vez é guerra. E se Aliens é uma soberba sequela, sendo o predileto de muitos... iremos constatar que Dead Space 3, talvez não fique muito atrás em relação aos seus irmãos mais velhos.


História:

Após os eventos de Dead Space 2, na estação espacial de Titan, Isaac Clark e Ellie Langford permanecem escondidos do governo terrestre, na base lunar de New Horizons. Durante esse tempo estabelecem uma relação intima, mas devido à obsessão de Ellie em travar os Markers, e ao que Isaac viveu no passado por causa dos mesmos, os dois acabam por separar-se, mas não sem o arrependimento posterior de Isaac. Futuramente, Ellie, consegue fazer uma triangulação dos sinais emitidos pelos Markers, até ao planeta de Tau Volantis, do qual ela acredita que sejam originários. Planeta este, que 200 anos antes, aconteceu um incidente que levou à morte de toda uma colónia aí existente, bem como ao assassinato de um soldado incumbido de resgatar um segredo, que podia deter para sempre os mesmos, bem como a “praga” dos Necromorphs.
Ellie envia dois soldados do governo terrestre, leais à “sua” causa, para trazer Isaac e ajudar-lhe numa última missão. Quando eles conseguem contactá-lo, é despoletado uma série de ataques na colónia, provocados pelo grupo do Círculo Espiritual, da igreja da Unitologia, originando a ativação de um Marker, libertando assim por toda a colónia Necromorphs, sendo este o ataque final que levará o caos à raça humana, e à concretização dos seus feitos. A sua influência ao longo de séculos, bem como a manipulação mental em massa de milhões nos círculos do poder, faz com que os soldados originários no resgate de Isaac; o Capitão Robert Norton e o Sargento John Carver, sejam parte do último esquadrão leal ao governo terrestre e à causa de travar os Markers. Os três homens têm agora que escapar da colónia, e irem ao encalce de Ellie.


Este é o ponto de partida de Dead Space 3, mas não pensem que a história fica por aqui, porque existem muitos pontos interessantes a explorar, quer no carácter intimo dos personagens, bem como através de algumas missões paralelas que aprofundam mais a história em si, de alguns acontecimentos relacionados com o Planeta.


Gráficos: 

Ao jogarmos Dead Space 3, deparamos com um título que graficamente indicia que estamos no final de vida de um ciclo de consolas e respetivos motores gráficos. Mesmo que à primeira vista o grafismo e a animação de Dead Space 3 pareça irrepreensível, observando mais clinicamente, é possível vermos que o jogo não evoluiu muito neste campo, especialmente se jogaram os dois títulos anteriores no PC, como foi o meu caso.
A ação do jogo decorre numa fluidez praticamente constante de 30 FPS, mas com alguns custos associados, nomeadamente no detalhe das texturas. Mesmo que estas apresentem boa qualidade, não estão de todo homogéneas, sendo que no campo em que a visão é menos focada, casos do teto, ou no plano longitudinal, estas percam alguma qualidade. Um dos exemplos mais gritantes nem tem tanto a ver com as texturas, mas sim com a poligonização de objetos no espaço exterior, quando estamos dentro da estação espacial, a luminosidade originaria pelos efeitos solares através das vidraças exteriores é irrepreensível, mas quando olhamos para o exterior, muitas vezes o espaço parece apenas um simples “wallpaper” colado no vidro sem qualquer vida, ou então com o mínimo de movimento. Uma vez que a ação do jogo é passada também em ambiente exterior, esta acaba por ser limitada pela névoa gelada do planeta, os efeitos de neve estão bem conseguidos, mas para 2013, espera-se um pouco mais do que efeitos bonitos. Aliás este jogo é pródigo em efeitos bonitos, mas não deslumbrantes.

O grande erro a nível gráfico, a meu ver, é que o trabalho do motor gráfico da Visceral não parece tão afinado em relação ao jogo anterior, aconteceu ver Necromorphs ficarem presos entre as portas, ou até mesmo conseguirem atravessá-las, estando as mesmas fechadas no decorrer da fuga do nosso personagem, para outras partes do complexo da ação.


Som: 

O que mais gosto na série Dead Space é sem dúvida a sua qualidade sonora, é daqueles jogos em que a presença da música torna-se completamente desnecessária ao jogá-lo, graças ao brilhantismo do design dos efeitos sonoros. Neste jogo, o som contínua praticamente em nota máxima, mesmo que agora tenhamos segmentos musicais em algumas partes, estes cumprem bem a sua função adicionando uma atmosfera ainda mais intensa à ação e suspense, mas tenho que ser sincero, que a ausência da mesma não seria sentida. As vozes continuam boas como nas anteriores incursões, somente a qualidade dos diálogos não me parecem tão bem conseguidos, especialmente nos pequenos clichés da história, que não quero estar aqui a revelar.

 



25 Março 2013 | Archeogamer
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